Sobre Jan Tschichold

Antes de começar a escrever gostaria de fazer algumas apresentações e comentários. Meu nome é Rafaela Paludo, sou estudante de Desenho Industrial e completamente fascinada por tipografia. O pessoal  do TipoQ?, sabendo disso, me convidou para escrever um texto no blog, e eu prontamente aceitei. E agora cá estou eu, para falar um pouco sobre o profissional incrível que foi Jan Tschichold.

Alemão nascido na cidade de Leipzig, Tschichold desde cedo praticava pintura de letras e caligrafia – o que lhe rendeu grande conhecimento do formato das letras e um convite para dar aulas de caligrafia na Academia de Belas Artes de Leipzig. É engraçado como, em um certo momento de sua vida, Tschichold deixou de lado as regras tradicionais da tipografia que havia estudado durante anos. Começou a realizar trabalhos experimentais com base nos princípios da neue typographie, que propunha novos conceitos de tipografia, alinhados com os ideais modernistas.

Robert Bringhurst, na introdução que escreveu para a última edição de A Forma do Livro, comenta sobre essa mudança no estilo de Tschichold, e como ele, com o tempo, foi percebendo o quanto os tais ideais modernistas não contribuíam tanto quanto a herança da Renascença no que diz respeito ao conforto do leitor ao ler um livro. A partir de então, Jan Tschichold migrou novamente para a maneira tradicional de diagramar conteúdos. Em A Forma do Livro, ele fala com a autoridade de quem se aprofundou nos princípios estéticos de ambas as vertentes sobre como a tradição da tipografia é algo importante: são regras que não necessitam ser modificadas, pois funcionam. E muito bem.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção nesse livro do Tschichold é a maneira apaixonada como ele defende regras básicas da composição de texto, como recuo de parágrafos, tamanho das margens adequado, entrelinhamento, etc. Se você ainda acha que livro em formato quadrado é bonito e moderno, Tschichold com certeza vai te convencer do contrário. A Forma do Livro foi um dos livros que li esse ano que mais gostei, e não canso de recomendar para as pessoas, principalmente os interessados em tipografia e diagramação.

Não poderia deixar de falar sobre a fonte Sabon – criada a partir dos desenhos de Garamond por Tschichold. Este destaca muitas vezes a importância da utilização das fontes clássicas e serifadas, mostrando que os experimentos modernistas eram uma página virada na sua vida.

Gostaria de finalizar este texto com um trecho de Robert Bringhurst em sua introdução de A Forma do Livro: “Ele (Jan Tschichold) queria, portanto, não só desenhar a página perfeita, mas também entender a gramática interna de seu próprio design, a fim de ensinar os princípios básicos a outros. A razão era simples: o que queria não era encontrar refúgio numa biblioteca melhor mas viver num mundo melhor”. E Jan Tschichold é exatamente assim, inspirador.

Fontes consultadas:
TSCHICHOLD, Jan. A forma do livro: ensaios sobre tipografia e estética do livro. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2007.
Linotype (Jan Tschichold)
Sabon
Tschichold

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